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05/02/2010
Catechesi Tradendae - Capítulo V (40/45)
 
 
 

40. É algo reconfortante verificar que não só durante a IV Assembleia Geral do Sínodo, mas também durante os anos que se lhe seguiram, toda a Igreja compartilhou em ampla escala esta preocupação: como dar catequese às crianças e aos jovens? Queira Deus que a atenção assim despertada na consciência da Igreja permaneça por muito tempo! O Sínodo foi muito benéfico para toda a Igreja. Esforçou-se por retratar com a maior exatidão possível a face complexa da juventude dos nossos dias; mostrou que esta juventude se serve de uma linguagem, para a qual importa saber traduzir, com paciência e sabedoria, a mensagem de Jesus, sem a trair; demonstrou que, malgrado as aparências, esta juventude é portadora, quando mais não fosse pelo vazio que sente, de algo mais do que uma disponibilidade e uma abertura: ela é portadora de um verdadeiro desejo de conhecer aquele «Jesus, que - se chama Cristo» (89); por fim pôs em evidência que a obra da catequese, se se quiser realizar com rigor e seriedade, se apresenta hoje mais árdua e fatigante do que nunca, por causa dos obstáculos e dificuldades de todo o gênero com que depara; mas que a catequese é também mais consoladora do que nunca, em razão da profundidade e correspondência que vai encontrando por parte das crianças e dos jovens. Está aí um tesouro, com o qual a Igreja pode e deve contar nos anos que hão de vir.

Há, no entanto, algumas categorias de jovens destinatários da catequese que, em virtude da sua particular situação, exigem atenção especial.

Deficientes

41. Trata-se, antes de mais, das crianças e dos jovens deficientes físicos ou mentais. Têm direito, como quaisquer outros da sua idade, a conhecer o «mistério da fé». As dificuldades que eles encontram, por serem maiores, tornam também mais meritórios os seus esforços e os dos seus educadores. É motivo de regozijo verificar que organismos católicos, que se dedicam especialmente aos, jovens deficientes, quiseram trazer ao Sínodo a contribuição da sua experiência neste campo e ao Sínodo vieram buscar um desejo renovado para melhor enfrentarem este importante problema. Tais organismos merecem ser vivamente encorajados nesta sua preocupação de procura.

Jovens religiosamente sem apoio

42. O meu pensamento dirige-se em seguida para as crianças e para os jovens, cada vez mais numerosos que, embora nascidos e educados num lar não cristão ou pelo menos não praticante, estão desejosos de conhecer a fé cristã. Há que fazer todo o possível por lhes proporcionar uma catequese adaptada, a fim de poderem crescer na fé e vivê-la progressivamente, malgrado a falta de apoio, ou talvez mesmo a oposição encontrada no seu meio ambiente.

Adultos

43. E prosseguindo a série dos destinatários da catequese, não posso deixar de realçar aqui um dos cuidados dos Padres do Sínodo, requerido com vigor e urgência pelas experiências que se estão a fazer no mundo inteiro: trata-se do problema crucial da catequese dos adultos. É a principal forma de catequese, porque se dirige a pessoas que têm as maiores responsabilidades e capacidade para viverem a mensagem cristã na sua forma plenamente desenvolvida .

Efetivamente, a comunidade cristã, nunca poderá pôr em prática uma catequese permanente sem a participação direta e experimentada dos adultos, quer sejam eles os destinatários quer os promotores da atividade catequética. O mundo em que os jovens são chamados a viver e testemunhar a fé, que a catequese intenta aprofundar e consolidar neles, é um mundo governado pelos adultos; a fé destes, portanto, tem de ser continuamente esclarecida, estimulada e renovada, a fim de impregnar as realidades temporais desse mundo por que eles são os responsáveis.

Assim, para ser eficaz, a catequese tem de .ser permanente; seria em vão, quase pela certa, se parasse no começo da maturidade, uma vez que ela se demonstra não menos necessária para adultos, embora sob outra .forma, obviamente.

Quase catecúmenos

 44. Dentre todos os adultos que têm necessidade de catequese, um solícito pensamento pastoral e missionário me vai agora para aqueles que, nascidos e educados em regiões ainda não cristianizadas, nunca puderam aprofundar a doutrina cristã, que as circunstâncias da vida alguma vez lhes permitiram encontrar; vai também para aqueles que na sua infância receberam uma catequese correspondente a tal idade, mas que em seguida se afastaram de toda a prática religiosa e se acham na idade madura com conhecimentos religiosos prevalentemente infantis; vai depois para aqueles que se ressentem de uma catequese precoce, mal orientada e mal assimilada; e vai por fim para aqueles que, embora nascidos em países cristãos, que o mesmo é dizer num ambiente sociologicamente cristão, nunca foram educados na sua fé e são, chegados à idade adulta, verdadeiros catecúmenos.

Catequeses diversificadas e complementares

45. Os adultos, em qualquer idade que se encontrem e as próprias pessoas idosas — que dada a sua experiência e os seus problemas, merecem atenção particular — são tão destinatários da catequese, como as crianças, os adolescentes e os jovens. E haveria que falar ainda dos migrantes, das pessoas «marginalizadas» pela evolução moderna e daquelas que vivem nos bairros de grandes metrópoles, muitas vezes desprovidos de igreja, de locais e de estruturas apropriadas... Em relação a todos estes, não se podem deixar de formular votos por que se multipliquem as iniciativas destinadas à sua formação cristã, com meios apropriados (sistemas audio-visuais, publicações, encontros, conferências, etc.), de tal maneira que os adultos possam ou suprir uma catequese que ficou insuficiente ou deficiente, ou completar harmoniosamente, a nível superior, aquela que receberam na infância, ou mesmo enriquecer-se neste aspecto, de molde a poderem ajudar mais seriamente os outros.

É importante também que a catequese das crianças e dos jovens, a catequese permanente e a catequese dos adultos não sejam domínios estanques e sem comunicação. E importa mais ainda que entre elas não haja ruptura. Muito pelo contrário, é necessário favorecer a sua perfeita complementaridade: os adultos têm muito que dar aos jovens e às crianças em matéria de catequese, mas também eles podem receber muito pela catequese, em ordem ao incremento da sua. própria vida cristã.

Tem que se repetir, uma vez mais: ninguém na Igreja de Jesus Cristo deveria sentir-se dispensado de receber catequese. Tal imperativo abrange mesmo o caso dos jovens seminaristas e dos jovens religiosos, bem como de todos aqueles que são chamados a desempenharem o múnus de pastores e de catequistas: desempenhá-lo-ão tanto melhor quanto mais souberem aprender com humildade na escola da Igreja, que é não só a grande catequista, mas também a grande catequizada.

 

 

 
 
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