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08/05/2008
A descida do Espírito Santo
Fim do ciclo Messiânico
 
 
 



Não há vozes nem rumores na casa do Cenáculo. Não há presença de discípulos, pelo menos eu não ouço nada, que me autorize a dizer que em outros ambientes da casa haja pessoas lá recolhidas. Aqui há somente a presença e as vozes dos Doze e de Maria, que está na sala da Ceia.

A sala está parecendo ser mais ampla, porque os móveis, colocados de outro modo, deixam livre todo o centro e também as beiras das duas paredes. Contra a terceira foi empurrada a mesa grande, que foi usada na Ceia e, entre essa e a parede, e também dos dois lados mais estreitos da mesa estão colocadas as cadeiras-leitos usadas na Ceia e o escabelo usado por Jesus, quando lavou os pés dos Apóstolos. Mas não estão os pequenos leitos colocados verticalmente, em relação à mesa, mas paralelamente, de tal modo que os apóstolos podem estar sentados sem ocupá-los todos, e até deixando livre uma cadeira, a única colocada verticalmente, em relação à mesa, estando assim tudo preparado para a Virgem bendita, que fica no centro da mesa, no lugar que na ceia foi ocupado por Jesus.

A mesa está nua, sem toalhas e sem a louça, mas aí estão as credências, desnudadas também dos seus ornamentos e, assim também estão as paredes. Somente o lampadário está aceso, no centro, mas só com a lâmpada central acesa, e o círculo das pequenas chamas, que formam a corola do bonito lampadário, estão apagadas.

As janelas estão fechadas, apertadas por algumas barras de ferro. Mas um raio de sol se infiltra atrevidamente por um buraquinho, e desce, como uma agulha longa e leve até o pavimento, onde forma um olhinho de Sol.

A Virgem, que está sozinha, sentada em sua cadeira, tem a seus lados sobre os pequenos leitos o Pedro e João. À direita está Pedro, e à esquerda está João. Matias, que é o novo apóstolo, está entre Tiago de Alfeu e Tadeu. Diante de Maria está um cofre largo e baixo, de madeira escura, e fechado. Maria está vestida de um azul escuro. Tem sobre os seus cabelos um véu branco, e sobre ele a aba do seu manto. Todos os outros estão com a cabeça descoberta.

Maria está lendo lentamente e em voz alta. Mas, pela pouca luz que chega até ela, eu creio que, mais do que estar lendo, o que ela está fazendo é repetir de cor as palavras escritas no rolo que Ela desenrolou. Os outros a acompanham, meditando em silêncio. De vez em quando eles lhe respondem, se for o caso.

Maria está com o rosto transfigurado por um sorriso extático. Quem sabe O que ela está vendo, certamente serão coisas que lhe façam ficar esplendentes os olhos, como duas estrelas e ficar vermelhas suas faces de marfim, como se sobre Ela se refletisse uma chama cor de rosa? É Ela verdadeiramente uma Rosa mística...

Os apóstolos vão colocar-se na frente, pondo-se de um modo enviesado para poderem ver o rosto dela, quando Ela docemente sorri e lê, e sua voz se parece com um canto dos anjos. Com isso Pedro se comove tanto, que duas grandes lágrimas lhe caem dos olhos e, por um caminho formado pelas rugas, elas vão aparecer naquela moita, que é a sua barba esbranquiçada. Mas João o mostra em seu rolo aquele seu sorriso virginal! E como Ela, se acende em amor, enquanto acompanha com o seu olhar o que a Virgem está lendo no rolo, olha para Ela, e sorri.

Terminou a leitura. A voz de Maria cessa. Cessa também o fru-fru dos pergaminhos desenrolados e enrolados. Maria se recolhe em oração secreta, ajuntando as mãos sobre o peito, e apoiando a cabeça sobre o ‘cofre’. E os apóstolos a imitam.

Um estrondo fortíssimo, mas harmonioso me parece provir do vento e de uma harpa, que tem algo do canto humano e da voz de um órgão perfeito, ressoa de improviso no silêncio da manhã. E ele vem se aproximando, sempre mais harmonioso e mais forte, e enche com as suas vibrações a Terra, e as propaga, e vem bater na casa, nas paredes e nos móveis. As chamas do lampadário, até agora imóvel, na paz de um quadro fechado, palpita como se um vento o invadisse e, as correntinhas da lâmpada estão tinindo e vibrando sob a ordem de som sobrenatural que as reveste.

Os apóstolos levantam as cabeças, apavorados, sob aquele fragor belíssimo, no qual estão as notas mais belas que Deus deu aos céus e à Terra, e vai ficando cada vez mais perto. Alguns se levantam, prontos para fugir, outros se agacham no chão, cobrindo a cabeça com as mãos e o manto, e batendo no peito, pedindo perdão ao Senhor, outros ainda vão ficar mais perto de Maria, pois estão muito espantados para poderem conservar aquele respeito que sempre tiveram para com a Puríssima, e que eles têm sempre. Somente o João é que não se espanta, porque ele vê a paz luminosa e cheia de alegria que vai aumentando no rosto de Maria, que levanta a cabeça, sorrindo por uma coisa que só Ela conhece, e depois desliza de joelhos, abrindo os braços e as duas asas azuis do seu manto, assim abertos e elas se estendem entre Pedro e João, que a imitaram, ajoelhando-se. Mas tudo isso, que eu levei minutos a descrever, tudo aconteceu em menos de um minuto.

E depois disso veio a Luz, o fogo, o Espírito Santo a entrar, com um último fragor melódico, em forma de um globo muito brilhante, muito ardente, na sala fechada, sem que nenhuma porta nem janela se tenha movido, tendo permanecido equilibrado por um instante sobre a cabeça de Maria, a uns três palmos acima de sua cabeça, que agora está descoberta, porque Maria, vendo o Fogo Paráclito, levantou os braços, como para invocá-lo, e, tendo jogado para trás a cabeça, com um gesto de alegria, com um sorriso de amor sem limites. E, depois daquele instante no qual todo o Fogo do Espírito Santo, todo o amor se concentrou sobre a sua Esposa, o Globo Santíssimo se divide em treze chamas canoras e muito brilhantes, uma luz que nesta Terra ninguém pode descrever, e que desce para beijar a fronte de cada apóstolo.

Mas a chama que desce sobre Maria não é uma língua de chama, que veio diretamente a uma fronte para beijá-la, mas é uma coroa que abraça e cinge, como uma grinalda a cabeça virginal, coroando como a uma Rainha a Filha, a Esposa de Deus, A Virgem Incorruptível, a Toda Bela, a Eterna Amada, a Eterna Menina, que nada mais pode envilecer. E em nada, Aquela que a dor tinha feito envelhecer, mas que ressuscitou na alegria da ressurreição de sua beleza e do frescor de suas carnes, de seus olhares, de sua vitalidade... tendo junto com o Filho um aumento de beleza, tudo isso como uma antecipação da beleza do seu glorioso corpo elevado ao Céu para ser a flor do Paraíso.

O Espírito Santo faz resplandecer suas chamas ao redor da cabeça da Amada. Que palavras Ele lhe dirá? Mistério! O rosto bendito é transfigurado por uma alegria sobrenatural, e se ri, com o sorriso dos Serafins, enquanto algumas lágrimas felizes parecem uns diamantes, que descem pelas faces da Bendita, pois suas faces estão sendo tocadas pela Luz do Espírito Santo.

O fogo permanece assim por algum tempo... E depois desaparece... De sua descida só fica como lembrança uma fragrância, que nenhuma flor terrestre é capaz de exalar... É o perfume do Paraíso...

Os apóstolos estão voltando a si mesmos... Maria fica no seu êxtase. Ela apenas leva os braços  sobre o peito, fecha os olhos e abaixa a cabeça... E continua o seu colóquio com Deus, fica insensível a tudo mais... Ninguém ousa perturbá-la.

João, mostrando-a, diz: “É o altar. E sobre a sua glória, pousou a glória do Senhor...”

“Sim. Não perturbemos a sua alegria. Mas vamos pregar o Senhor, e que sejam manifestas as suas obras e suas palavras por entre os povos”, diz Pedro em sua sobrenatural espontaneidade.

“Vamos! Vamos! O Espírito de Deus está ardendo em Mim!, diz Tiago de Alfeu, e ele nos excita a agir. A todos nós. Vamos evangelizar os povos.”

Eles saem de lá, como se estivessem sendo impelidos, ou atraídos por um vento ou uma força vigorosa.


FIM DO CICLO MESSIÂNICO

- Jesus: “Aqui está a Obra que o meu amor por vós ditou, e que vós recebestes, pelo amor que uma criatura teve para Comigo e para convosco. Ela terminou. Terminou hoje: dia da Comemoração de Santa Zita de lucca, humilde serva, que serviu ao Senhor na caridade, nesta Igreja de Lucca, para a qual Eu, vindo de lugares longínquos, trouxe o meu pequeno João, a fim de que me servisse na caridade e com o mesmo amor de Santa Zita para com todos os infelizes. Ela dava pão aos pobrezinhos, lembrando-se de que em cada um deles Eu estou, e de que felizes serão, ao meu lado, aqueles que tiverem dado pão e bebida aos que tem fome e sede. Maria-João deu as minhas palavras aqueles que estão doentes na ignorância, ou na tibieza, ou na dúvida sobre a Fé, lembrando-se do que está dito pela Sabedoria, que aqueles que se afadigam para fazerem que Deus seja conhecido, resplandecerão como estrelas na eternidade, dando glória ao seu Amor, com o que fazem para que Ele seja conhecido e amado, e por muitos.

Também termina hoje este dia, no qual a Igreja eleva aos altares o puro lírio dos campos Maria Teresa Goretti, como um pedúnculo quebrado, certamente por Satanás, invejoso daquele candor, mais esplendente do que o seu antigo esplendor de anjo? Quebrado, porque consagrado ao Amante Divino, Maria, Virgem e Mártir deste século de infâmias, no qual se vilipendia até a honra da Mulher, cuspindo a baba dos répteis, para negar o poder de Deus de dar uma morada inviolada ao seu Verbo, encarnando-se Ele por obra do Espírito Santo, para salvar aqueles que crêem nele.

Também a Maria-João é mártir do Ódio, que não quer ver celebradas as minhas maravilhas com esta Obra, arma poderosa para arrebatar-lhe muitas presas. Mas também a Maria-João sabe, como o sabia a Maria Teresa, que o martírio, seja qual for o nome e o aspecto que ele tenha, é a chave para abrir, sem demora, o Reino dos Céus para aqueles que padecem, a fim de continuarem a minha Paixão.

A Obra terminou. E, com o seu fim, com a descida do Espírito Santo, conclui-se o ciclo messiânico, que a minha Sabedoria iluminou, desde o seu alvorecer: a Conceição Imaculada de Maria, até o seu por do Sol: a descida do Espírito Santo. Todo o ciclo messiânico é obra do Espírito do Amor, para quem sabe ver bem. Justo é, pois, iniciá-lo com o mistério da Imaculada Conceição da Esposa do Amor, e concluí-lo com o selo do Fogo Paráclito sobre a Igreja de Cristo.

As obras manifestas de Deus, do Amor de Deus, terminam com o Pentecostes. Daqui para diante, continua o último e misterioso operar de Deus nos seus fiéis, unidos ao Nome de Jesus na Igreja Uma, Santa, Católica, Apostólica, Romana. E a Igreja, isto é, a reunião dos fiéis: os pastores, as ovelhas e cordeiros, podem ir para a frente e sem errar, pela espiritual e contínua operação do Amor, o Teólogo dos teólogos. Ele é quem forma os verdadeiros teólogos que são aqueles que se perderam em Deus, e tem Deus em si mesmos, a vida de Deus neles pela direção do Espírito de Deus, que os conduz, e são verdadeiramente “filhos de Deus”, segundo o conceito de Paulo.

E, no fim da obra, Eu devo colocar, ainda mais uma vez, a lamentação colocada no fim de cada ano evangélico, e, na minha dor de ver desprezado o meu dom, Eu vos digo: “Não tereis outra coisa, porque não soubestes receber bem o que Eu vos ofereci.” E digo também isto, que vos fiz dizer sobre a estrada reta, no verão passado: (21-05-47) “Não me vereis, enquanto não chegar o dia, no qual digais: “Bendito o que vem em do Senhor”.



(Terminada esta Obra hoje, 27 de abril de 1947.

Viareggio – Rua Fratti 113.
Maria Valtorta.)

 

 

 
 
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