Newsletter
Receba nossos artigos diretamente no seu email.
Nome
Email
Cadastro manual: Entre em contato
 




 
 
22/05/2018
UM AMOR DE PADRE
Mensagem de Nossa Senhora ao Confidente Católico Cláudio Heckert - 04 de julho
 
 
 

UM DIÁLOGO COM O AMIGO DE INFANCIA, HOJE PADRE VALDO

Claudio Heckert, Confidente de Nossa Senhora, Porto Belo, SC

 

Um amor de Padre

 

Em nossas andanças por aí, em Cenáculos, por tantos lugares, muitas vezes encontramo-nos com sacerdotes por nós desconhecidos e nos alegramos por vê-los nos acompanhando, procurando sempre conversar com eles: saber coisas, pedir orientações, confessar.

A presença do Padre sempre nos trás alegrias: contagia o nosso coração!

E aconteceu um encontro que jamais imaginaria: Um amigo de infância que há 60 anos não o via mais, já que em 1968 ele saiu de nossa cidade para estudar em lugar distante, afim de seguir o caminho sacerdotal: foi para o seminário.

- Boa tarde, Cláudio! Como vais?

- Boa tarde! Sua Benção, Padre.

- Quanto tempo, não?

-É? Não sei. Quem é o senhor?

- Teu amigo, o Valdo, de Brusque...

- O senhor? O senhor é Padre? Realizou o seu sonho?

- E estou aqui, rezando contigo.

- Quanto tempo! Bem, se o senhor está aqui é porque conhece o nosso trabalho. Então me conte sobre o seu, a sua história...

E narrou assim.

Começa lá atrás, na nossa escola: Eu gostava da Jaque e ela gostava de mim, mas com 10 anos de idade e ela com 09, o namoro não podia existir. Mas eu a admirava, observava cada gesto seu, cada movimento, até dentro da sala de aula: Era a minha deusa! Em um dia de prova oral, eu fui chamado antes e após a prova fui para o pátio. Era o último exame do ano: Exame final. Logo ela saiu da sala e pela primeira vez se aproximou de mim! Tudo em mim gelou e meu coração parecia querer sair do peito. Ela tocou suas mãos em mim, e com seus lábios junto ao meu ouvido disse: Você tirou nota 90! Eu vi o Diretor anotar no livro!

Naquele momento a nota não me interessou: o que me importou era tê-la ali junto a mim e ter seus lábios sobre mim...

- Este tempo precisa parar, eu disse de mim para mim.

Mas não parou e ela foi juntar-se às amiguinhas que em uníssono cantaram: Ela tem um namorado! Ela tem um namorado! Viva a Jaque! Viva a Jaque! Viva!

Meu coração pulava: queria correr pelo pátio, voar...

Mas o encanto acabou! Eu tinha só 10 e ela só 9 anos!

Nunca havíamos conversado. Eu era muito tímido, mas eu sabia que ela gostava de mim: algumas vezes ela vinha em sua bicicleta visitar suas amiguinhas bem perto da minha casa e eu percebia que ela procurava me ver mas eu apenas a observava embora uma vontade forte me sugeria ir ao encontro dela, conversar e, quem sabe, sentir suas mãos sobre mim e seus lábios tão pertos... Mas minha timidez não permitia.

Um dia fui acometido de uma forte gripe e o médico indicou injeções.

- O “Seu” João aplica injeções, disse a mãe: Vai lá e ele vai atender.

“Seu” João era o pai da Jaque! Eu teria de ir na casa dele! Fui! E quanto mais me aproximava da casa mais meu coração enlouquecia! Mas ela não estava e aquela injeção doeu o dia e a noite inteira! No dia seguinte fui de novo e falava baixinho: Tomara que ela esteja lá! Vou vê-la! Vou vê-la! E ela estava! Só ela! Mais ninguém!

- Entra, Valdo! Meus pais não estão, mas não devem demorar. Entra!

Meu coração girava. Meu corpo girava! E eu não sabia o que fazer.

- Entra...

Aquela voz! Aquele sorriso! Não foi possível ir embora!

Conversamos sobre não sei o que, até que me convidou a subir no seu quarto, no andar de cima.

Eu tinha dez e ela nove: o que poderia acontecer de errado? Nada! Naquela época, com essa idade, as coisas adultas eram desconhecidas!

Conversamos sobre as aulas, sobre a escola, sentados sobre sua cama! Seus pais chegaram fazendo interromper aquele encontro mágico!

A injeção doeu muito mais, e isto por muitos dias, pois nunca mais tivemos este encontro: Fui para o seminário e procurei não mais pensar nela, embora isso fosse quase impossível.

Só poderia voltar para casa nas férias do final do ano e eu contava os dias, para que o tempo andasse mais rápido...Mas não andava: Já no meio do ano, meus pais mudaram de cidade e então tive vontade de brigar com eles. Mas eles estavam longe. E nas férias não pude vê-la! Dezembro, Janeiro... Em Fevereiro, no dia 02 voltei ao seminário sem ter noticias dela, e não teria mais, pois não se podia receber ou enviar cartas. No próximo período de férias implorei à minha mãe: - Deixa eu ir a Brusque, rever meus amigos. Minha mãe era uma Santa e me permitiu ir. Ao invés de procurar meus amigos, fui à casa de Jaque, até o portão, mas recuei... Eu era tímido demais!

Meu coração brigou comigo e quase não pude perceber quando, na estrada já longe da casa dela, escutei sua vos, suave, inconfundível:

- Oi, Valdo! Tudo bem?

Agora estava tudo bem! Mas não tive coragem de dizer-lhe... Na verdade, eu me tornei mudo!

- Você vai voltar ao seminário?

- É! Acho que vou!

- Então, boa sorte!

E se foi! Agora eu queria falar, dizer-lhe do quanto ela me fazia falta... Mas eu não sabia voar!

Depois do terceiro ano de seminário, do quarto, do quinto, e só depois do quinto, é que pude receber férias. Mas eu já não tinha certeza se queria vê-la. Minha cabeça não me dava a resposta correta: Sim! Não! Voltar ao seminário: Sim! Não!

E num desses dias de férias em Brusque, na porta da Igreja de meu bairro, fui como que, barrado por um toque suave de mãos de Anjos!

- Oi, Valdo!

- Jaque! Você?

- Quanto tempo! Você não teve mais férias?

- Quantas saudades! Mas só agora pude vir! Tive vontade de dizer: Para te ver! Mas não disse e me limitei a perguntar:

- Você sempre vem a Missa aqui?

- Não! Eu participo de outra Paróquia, mas hoje eu soube que você estaria aqui!

- Você soube?

- É! Eu ando sempre te procurando... E ela entrou na Igreja.

Para mim, esta foi uma séria declaração de amor.

Ela estava linda! Agora, com dezessete anos era ainda mais linda!

- Eu não posso perde-la! Não a deixarei mais!

Ao terminar a Santa Missa, fui abordado por meus parentes que me conduziram às suas casas. Ela ficou lá: parada! Me olhando...

Meu coração gritava: - Isto não pode ser um adeus! Preciso vê-la sempre! Mas passaram-se mais cinco anos, sem que houvesse novo encontro!

Eu a amava! Mas amava o caminho sacerdotal!

- Quero ser padre, ora eu dizia: quero me casar com Jaque, ora eu dizia!

E chegou o dia da Ordenação e isto aconteceu em Brusque, na Igreja do nosso último encontro!

E ela estava lá: seu sorriso me extasiava, meu corpo tremia, a ponto de quase não poder manter-me de pé!

- Ainda há tempo, eu resmungava... Mas as horas passavam e o tempo acabou!

- Tu es Sacerdos in aeternum!

No abraço, choramos muito, mas não houve palavras a não ser:

- Vai, Valdo! Segue tua história! Seja feliz!

Fui para outros estados, outras paragens, outros países, e nunca mais a vi!

Soube por carta de meus pais, que Jaque se casara e fora morar em outra cidade, mas não fora feliz com o casamento!

Mas eu não fiz nada! A não ser chorar!

Me sentia bem como sacerdote e fiz muitas obras bonitas, fui homenageado e querido por muita gente. Cumpri minha Missão a contento. Deus, com certeza está contente comigo!

Foi a última vez que vi o Valdo.

E no dia 04 de Julho, no rio Grande do Sul, no Cemitério Linha Andreas, de Vera Cruz, recebi esta mensagem:

 

Cemitério Linha Andreas

Mas, por causa deste vosso gesto, vai agora ao Céu este padre que faleceu às 14,00 horas, e que deveria permanecer no Purgatório até o final dos tempos. Ele “esquecera-se” de ser padre e lembrou-se apenas quando no seu leito de morte. Por vossas orações, foi salvo no último momento e agora será vosso intercessor para sempre. Amém!

“Maria, Mãe do Universo!”

- Mas, por que, Mãe? Ele não traiu o seu sacerdócio...

- Traiu Jaque que o esperou por 20 anos, e assim teve perdida boa parte de sua vida! Foi indeciso, fraco. Trouxe sofrimentos a outros... Desde o início de sua história teve tempo de dizer a Jaque de sua decisão de ser padre, mas deixou-a sempre na esperança, na expectativa. Sua indecisão fez Jaque sofrer e perder tempo, por isso Deus o sentenciou a um Purgatório longo. Agora vai ao Céu, por causa de vocês.

Amém?

 

 
 
Artigo Visto: 414 - Impresso: 7 - Enviado: 6
 

ATENÇÃO! Todos os artigos deste site são de livre cópia e divulgação desde que sempre sejam citados a fonte www.salvaialmas.com.br

 

Visitas Únicas Hoje: 293 - Total Visitas Únicas: 1840771 - Usuários Online: 54
Copyright 2015 - www.salvaialmas.com.br - Todos os Direitos Reservados
Desenvolvido por: www.espacojames.com.br/sites